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Biodiversidade Brasileira: Dados Atuais (2016)

25 Maio 2016
Biodiversidade no brasil

A biodiversidade brasileira é incomparável!

Dados do Grupo da Flora do Brasil divulgados no ano passado comprovaram que o Brasil é o país de maior riqueza vegetal do mundo, apresentando 32.109 espécies de espermatófitas (plantas que produzem sementes), seguido por China, Indonésia, México e África do Sul.

Este número ainda não se estabilizou. De acordo com pesquisas divulgadas no âmbito do projeto BIOTA-FAPESP, a cada ano são descritas 250 novas espécies no Brasil, contribuindo para aumentar ainda mais a biodiversidade brasileira.

Este dado demonstra que ainda há muito trabalho em se catalogar as plantas do nosso território, e devem ser analisados com uma ressalva importante: há grandes lacunas no levantamento da biodiversidade brasileira.

A Figura 1 abaixo representa a densidade de coleta de angiospermas, indicando uma concentração na região costeira, próximo aos grandes centros urbanos e ao longo de grandes rodovias.

biodiversidade brasileira

Figura 1: A distribuição espacial da densidade de coleta de angiospermas (Fonte: INCT – Herbário Virtual da Flora e dos Fungos).

A base destes dados são coletas depositadas em herbários brasileiros e disponíveis para consulta gratuitamente pela internet (Saiba mais em: www.splink.cria.org.br). Nosso retrato sobre a biodiversidade brasileira, portanto, já parte de uma base “tendenciosa”, tendo em vista que não inclui a totalidade do território nacional.

Dados como este, portanto, são utilizados pela comunidade científica na delimitação de novas áreas para pesquisa botânica, onde se presume haver uma flora com elevado potencial para novas “descobertas” sobre a biodiversidade brasileira.

Estas informações georreferenciadas podem ser analisadas em conjunto com dados ambientais, como os disponíveis pela plataforma WorldClim (saiba mais em: www.worldclim.org). Quando analisados em conjunto, terão o potencial de nos informar áreas pobremente conhecidas e com variação ambiental maior.

Quanto maior a variação ambiental (topografia, geomorfológica, pluviosidade, variação da precipitação e entre outras variáveis), mais intensa deve ser a amostragem de coletas botânicas, tendo em vista que se pressupõe maior diversidade beta (entre ambientes).

Estudo realizado por Souza-Baena et al. (2013) publicado na Diversity and Distributions apontou quatro áreas extremamente prioritárias para coleta botânica no Brasil (ver Figura 2):

  • Noroeste da Amazônia,
  • Serra do Tumucumaque no Amapá,
  • Arco do desmatamento entre os Estados do Mato Grosso e Pará e
  • Região de campos no Oeste do Rio Grande do Sul

Biodiversidade no brasil

Figura 2: Variação climática no Brasil.

Cores frias indicam distâncias menores entre sítios de coleta. (a) Singularidade climática. (b) Distância geográfica entre as coletas botânicas. Cores quentes indicam distâncias maiores entre coletas. A sobreposição do mapa “c” com o mapa de uso da terra permite diferenciar áreas com cobertura natural (escuras) de áreas com forte alteração (claras) em (d), (e) e (f). (Retirado de: Souza-Baena et al. 2013. Diversity and Distributions 1-13).

O domínio de vegetação brasileira com maior riqueza vegetal é a Mata Atlântica (senso amplo) com 15.017 espécies, sendo 49,5% endêmicas.

Portanto, de cada 100 espécies vegetais do Brasil, os estudos do grupo da Flora do Brasil apontaram que aproximadamente 25 ocorrem apenas neste domínio!

Desta forma, conservar os remanescentes representa uma estratégia urgente para a manutenção destas espécies, muitas das quais se encontram ameaçadas de extinção, e garantir que novas espécies continuem sendo descritas pela ciência. Sua grande amplitude latitudinal e variação ambiental influenciada pelo gradiente de maritimidade/continentalidade (distância ao oceano) são os dois mais importantes elementos por detrás dessa incrível diversidade, sendo, portanto, fatores importantes na distribuição da vegetação ao longo de sua área de ocorrência (Figura 3).

Biodiversidade do brasil

Figura 3: Influência do clima na distribuição da flora arbórea do Sudeste do Brasil (Retirado de: Oliveira-Filho & Fontes. 2000. Biotropica 32(4B):793-810).

A partir da Figura 3, podemos interpretar que a distância ao Oceano representa um fator ambiental importante no agrupamento florístico de localidades em Florestas Semidecíduas (as “florestas do interior”). Cada símbolo na figura representa uma localidade que teve o seu componente arbóreo levantado através de métodos florísticos ou fitossociológicos.

De forma geral, a maior proximidade entre os símbolos representam trechos de vegetação florística ou estruturalmente mais “semelhantes”. A sazonalidade da precipitação, a temperatura média anual e altitude foram outras variáveis que influenciaram a distribuição da vegetação, de acordo com os autores.

Este trabalho é clássico e contribuiu ao reconhecimento da Mata Atlântica como um domínio composto por um complexo de fitofisionomias dispostas ao longo de gradientes ambientais definidos. É desta forma que este domínio é concebido através da Lei da Mata Atlântica.

A Biodiversidade Brasileira e o Cerrado

O Cerrado Brasileiro, por sua vez, representa a savana de maior biodiversidade brasileira e do Mundo! Possui 12.113 espécies espermatófitas, sendo 35% delas endêmicas. Ocorre ao longo do Brasil Central desde os Estados do Nordeste (contato e disjunções em meio ao domínio da Caatinga) do Norte (com a presença de áreas disjuntas ao longo da Bacia do Rio Negro e Roraima, por exemplo), Centro-Oeste (Área Core), Sudeste e Sul (intrusões de campos na região de Ponta Grossa).

Fatores relacionados ao fogo, extinção da mega-fauna, flutuações climáticas e influência da Mata Atlântica ajudam a explicar a incrível e, acima da média, biodiversidade desta savana comparada com as outras que ocorrem na África ou Austrália, por exemplo. O nosso Cerrado se apresenta através de diferentes fitofisionomias abertas ou, até mesmo, de dossel fechado (Figura 4).

Biodiversidade do cerrado

Figura 4: Fitofisionomias do Domínio Cerrado (Retirado e adaptado de: Walter. 2016 Fitofisionomias do Bioma Cerrado: síntese terminológica e relações florísticas. Tese de doutorado. Universidade de Brasília).

Pela figura, já é possível supor que o solo é um dos elementos principais na gênese da distribuição destas fitofisionomias ao longo deste domínio. Estudos biogeográficos têm mapeado áreas prioritárias para conservação do Cerrado.

A maior parte delas estão no Centro-Oeste ao longo da área central de distribuição (Figura 5). Juntamente com a Caatinga e o Chaco Paraguaio, o Cerrado forma a diagonal de formação aberta da América do Sul, uma região de clima sazonal de semi-árido a tropical seco, cujo compartilhamento de espécies é um fator intrínseco e que ao longo das últimas flutuações climáticas do terciário/quaternário se expandiu para áreas de clima atualmente úmido (Figura 6) e influenciou na formação do arco pleistocênico (ver distribuição dos ambientes 2, 3, 7, 6, 5 e 4.

Esta diagonal mantém parcialmente isolados entre si os domínios Atlântico e Amazônico, influenciando os padrões de especiação e evolução biogeográfica da biota sul-americana como um todo.

Conservação do domínio do cerrado

Figura 5: Áreas prioritárias para conservação do domínio do Cerrado.

florestais

Figura 6: Distribuição de ambientes majoritariamente florestais (preto) e abertos (branco) na América do Sul.

Legenda: A: Florestas do Chocó colombiano; B: Domínio Amazônica; C: Domínio Atlântico; D: Florestas Valdivianas e de Nothofagus e Araucaria; 1: Florestas Secas da Costa Venezuelana; 2: Lhanos colombianos e venezuelanos; 3: Região da Puna e Páramo desde a Colômbia até o Chile; 4: Caatingas; 5: Cerrados; 6: Complexo do Pantanal; 7: Chaco; 8: Pampas e 9: Semi-desertos patagônios.

(Retirado de: Forattini. 1980. Biogeografia, origem e distribuição da domiciliação de Triatomíneos no Brasil. Rev. Saúde Publ. 14:265-299).

Reconhecer os padrões da biodiversidade brasileira são informações básicas para a tomada de decisão em conservação e restauração ambiental. Portanto, resolvi abordar estes assuntos através da aula ON-LINE ao Vivo intitulada “A distribuição da Riqueza Arbórea nos domínios de Vegetação do Brasil”.

Ao final da aula, aproveitarei para lançar nossa primeira e grande rede de Botânica ON-LINE, administrada pela Brasil Bioma, que contará com a colaboração de inúmeros profissionais de diferentes áreas aplicadas à botânica.

No portal, serão ministrados cursos intensivos em videoaulas, aulas ao vivo, séries exclusivas sobre Classificação e Distribuição de Vegetação, videoaulas sobre Identificação de Plantas, tudo isso através de uma plataforma totalmente interativa e cooperativa que estimulará o networking e o compartilhamento entre os assinantes. Estamos lançando um verdadeiro Mundo da Botânica, do qual eu gostaria imensamente que você fizesse parte.

Inscreva-se para acompanhar esta aula ao vivo e o lançamento de nossa rede através do endereço a seguir: www.brasilbioma.com.br/aula-ao-vivo.

Confira mais informações sobre data e hora na página indicada.

Conto com sua presença!

Abraços

Rodrigo Polisel

About the Author

Rodrigo Polisel

Rodrigo Polisel é biólogo (USP), Mestre e Doutor em Botânica. Oferece cursos de extensão em Botânica presenciais desde 2008, e à distância desde 2015, sendo pioneiro nesta modalidade no Brasil. Já certificamos mais de 1.400 profissionais e estudantes da área de meio ambiente, incluindo analistas do IBAMA, CETESB, Secretarias de Meio Ambiente, entre outros.

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